quinta-feira, 20 de setembro de 2012

ENEL 2012: As Mil Mães Adolescentes Mortas

Luzes apagadas e enfim o show mais esperado do evento porque singuém sabia o que esperar a primeira apresentação dos paraenses do As Mil Mães Adolescentes Mortas, divulgando o primeiro álbum, Invasão Nórdica ao Show de Punk Rock Hardcore. E então o sliêncio sepulcral antes das notas iniciais de Guiados pela Constelação das Presas do Lobo antes da enfim porradaria de Javali, emendada com Cavalice Extrema e fechando com Martelo que te Partam, quando Minhoca, o vocalista, apresentou a banda e agradeceu a oportunidade de serem convidados a tocar em um evento do porte do ENEL, ressaltando que nunca estiveram tão deslocados. E eis que o pessoal ficou indeciso entre entrar na roda ou cantar junto em Não Estamos Preparados, emendada com a “panterosa” Valquíria (Massacre Freyr), abrindo para a ultra-rápida Chuva de Lanças. Aqui percebe-se o entrosamento da banda que, mesmo não tocando o álbum na ordem certa, ainda faz soar bastante destruidor ao vivo. “Vão se foder, cristãos”, berrou Garou, guitarrista, “porque esta se chama Paraíso Perdido na Casa do Caralho!”, promovendo bateção de cabeça geral, com inúmeros metal horns em riste. O “momento piada” foi em Créu Velocidade 666 e Os Vagabundos Só Querem Surfar (cuja letra foi inspirada no filme Apocalypse Now, de Francis Ford Coppola), marcadas pela bateria tocada na velocidade da luz por Trilha-de-Sangue, que transformou Muralha de Escudos em uma martelada sonora maior do que já é. Apesar de ser basicamente cantada e acompanhada pela bateria, foi impossível não se emocionar com o hino Harokin/Einherjar, guiada pelo baixo de Pëixë e dedicada ao pai de um amigo da banda, hospitalizado. Para fechar o set antes do bis, Novo Mundo (a lá Bad Religion) e, por fim, a “ode" ao Pará, Soberania, que, segundo a banda, é a resposta deles à Belém, Pará, Brasil, dos seus conterrâneos do Mosaico de Ravena. No bis, o pessoal ainda tinha gás para a roda em Bleeding Heart Disease, do NOFX; para banguear em Creeping Death, do Metallica, e, por fim, cantar em uníssono We’ll Meet Again, clássico de Vera Lynn regravado até por Johnny Cash, que certamente foi o ponto máximo dos shows do evento. Que venha o próximo ENEL e, nele, mais uma apresentação d’As Mil Mães Adolescentes Mortas!

SETLIST
Guiados pela Constelação das Presas do Lobo
Javali
Cavalice Extrema
Martelo que te Partam
Valquíria (Massacre Freyr)
Chuva de Lanças
Paraíso Perdido na Casa do Caralho
Créu Velocidade 666
Os Vagabundos Só Querem Surfar
Muralha de Escudos
Harokin/Einherjar
Novo Mundo
Soberania

BIS
Bleeding Heart Disease (NOFX)
Creeping Death (Metallica)
We’ll Meet Again (Vera Lynn)

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

VARJA!

OS SEUS OLHOS DE UM CASTANHO TÃO BRILHANTE NÃO PARECIAM ENTÃO OS DELA. Engasgava-se tentando engolir os gritos. Era sua primeira atuação em tal experiência e não estava disposta a parar depois que começara a ter algo próximo a um ritmo. Seus cabelos estavam molhados de um modo que não sabia que pudessem e o lençol não era mais o resultado do trabalho dos melhores fiandeiros, e, sim, somente a grama relva. O modo que sentia seu corpo ainda era desconhecido, mas implorava para que ele não parasse.
Ele que não devia estar lá naquele momento e sim a muitos quilômetros de distância, no front de uma batalha considerada perdida, mas que não seria entregue de beijadas mãos. Planos de como causar o máximo de dano ao inimigo estavam sendo traçados ao redor de fogueiras e ele não estava lá. Ela havia destrançado sua barba inteira, que se espalhava sobre o corpo dela, e a puxava com toda a força que tinha, uma vez que não podia acordar sua mãe e irmãs e amas.
O que fazer quando se é um dos soldados do Senhor Feudal e estee proíbe qualquer um que não sejam seus vassalos de sequer olhar para suas filhas? Já havia um ano que só trocavam olhares e mensagens por pombos-correios ou mesmo pessoas próximas, se encontrando em festas organizadas pelos altos círculos da realeza, onde até chegaram a dançar juntos em duas delas, sendo que, na segunda, trocaram o primeiro e único beijo até àquela noite.
Na noite anterior desta, ele se arrastou até a floresta dentro dos limites do feudo e lá se encontraram. Finalmente Senhor e Senhora e então voltando ao seus. Após a união, consideraram a noite antes do certame perfeita para que se encontrassem novamente e enfim se fizessem seus. Ele se esgueirou tarde da noite para uma cidadela escondida onde os não-militares foram guardados, levando nada mais do que uma espada, não podendo se dar ao luxo de carregar peso, uma vez que voltaria em quatro patas, para chegar antes da alvorada.
Chegaram ao paraíso juntos e sem fôlego algum. As unhas dela já haviam traçado mais caminhos em suas costas do que haviam no território inteiro, mas sua pele dura já ignorava tais marcas fazia tempo. Ele procurou abrigo para o rosto nos cabelos dela, sendo tenramente recebido com o mais singelo dos abraços. Não adormeceram, não podiam perder a hora, porém não trocaram palavra. Após momentos que duraram uma eternidade, ele tateou, procurando a espada com uma das mãos. Ela sentiu quando ele fechou a mão na bainha, certificando-se de que estava lá.
“Voltareis”, ela disse, sem olhar para ele, “não ireis?”
Ele levantou a cabeça e a olhou no fundo dos olhos.
“Não perguntai isso”, pediu.
“Vós sois meu esposo”, ela retrucou, sorrindo o mais belo dos sorrisos. “E eu, como vossa esposa e senhora, ordeno para que volteis vivo.”
“Vosso pai já deve ter vos dito que nossa vitória amanhã é praticamente impossível”.
Ela o esbofeteou como nenhum homem antes fora atingido.
“Não me contrarie!”
Presas já tomavam o lugar dos dentes. As pupilas já ferviam com sangue. Ela o puxou pela barba. “Se não podeis prometer voltar”, ela pediu com os olhos afundados nos dele, “ao menos, levai todos os malditos que puder ao inferno! Enquanto puderes respirar”, as palavras saíam entre dentes ao escorrer das lágrimas, “impedi ao máximo que tomem nossa terra, dos que vieram antes de nós e dos que vieram antes deles!”
Ela o beijou.
“Mas antes disso”, não se sabia mais onde cada um deles começava e terminava, “sejamos senhor e senhora mais uma vez”.

Muitos verões e luas se passaram. Os cabelos lisos já haviam começado a transitar do castanho ao alvo e estavam ao vento. Faziam anos que o frio não castigava de tal forma, mas passariam por mais este. Ela estava em um cavalo de guerra, com provisões e armas, e não esboçava reação às correntes de ar que se quebravam em seu rosto.
A montaria era puxada por um homem cuja barba branca e espessa cobria o pescoço, não sentia mais o peso da armadura sob as vestes e a espada era como uma pluma. O sol fazia esforço de se mostrar entre as nuvens, as isso não os afetava. Deviam chegar ao final do entardecer. E ele já conhecia muito bem o caminho até lá.
“Pensais em minha irmã, marido?”, a mulher perguntou.

Duas noites passadas ao embate, ele voltou com a velocidade de um mouro à cidadela e encontrou pouco que estivesse de pé. Voltou, já de arma em punho, à forma humana e procurou por onde pôde.
VARJA!, gritou a plenos pulmões com o pouco ar que ainda tinha. VARJA!
Corpos espalhados e cabanas terminando de ser consumidas pelas chamas. Crianças chorando ao lado e aos pés de pais degolados. Cabeças masculinas em varas de um a dois metros de altur e ainda podia-se ver uma pilha de espadas e escudos e lanças ainda em fogo.
VARJA!
“Meu senhor...”, ele ainda pôde ouvir. “Meu senhor, vos suplico”, ele foi até a voz, “sei onde está vossa senhora”, a voz estava fraca e quase se indo. “Ela nunca duvidou que o senhor voltaria.” Ele a tomou em braços. Os traços eram delicados, mesmo após a surra que levara após certamente... O cheiro em seu corpo entregara sua condição de ter sido brutalmente...
“Eles chegaram e não os vimos”, ela lutava para terminar de falar. “Tentamos lutar, mas eles eram mais fortes”, engasgava-se em seu sangue enquanto seus olhos castanhos padeciam. Podia ser uma ama, mas ainda era forte a ponto de conter as lágrimas ao se relatar a um superior. “Vossa senhora...”, ela disse, “Varja......”

“Eu sou Varja Skallagrim!”, ela gritou com uma espada longa em punho. “Filha de Önnur, filho de Otr, da linhagem dos senhores da casa de Bora!” Suas criadas não continham o desespero. “Eu sou Varja Skallagrim, esposa e senhora de Finnvid, filho de Herjolf!”

“Sim, esposa”, ele respondeu, “penso em vossa irmã”.
E seguiram em frente.

:: conto de Rafael Alexandrino Malafaia ::
:: 18 de setembro de 2012 ::
:: a pronúncia correta do nome da protagonista – Varja – é Vária, uma vez que, no nórdico antigo – tal qual no alemão –, o “j” tem som de “i” ::
:: Önnur – pronúnica Oénnuár ::
:: Otr – pronúnica Otár ::

sábado, 15 de setembro de 2012

Resenha de HQ: THE ASTOUNDING WOLF-MAN

Eu poderia estar lendo Bukowski, Scher, Rodrigues, Goethe, Campbell, Rilke ou Sartre. Não. Depois das notícias que tive hoje, só tomando aquele banho e lendo o monte de HQ’s que li que acabei achando num site que volta e sempre, ‘tô freqüentando, e já até traduzi e revisei umas traduções de HQ’s pra lá – o Gibiscuits.

The Astounding Wolf-Man. Eis mais uma forra valendo da Image (sim, a editora de Spawn, CyberForce, Gen13 e outros caralhos que não valem o que o gato põe na areia), que vem até dando umas forras valendo estes tempos, não somente por Astro City e The Walking Dead, mas também por City of Heroes (super-recomendada), Liberty Meadows (série super show do Frank Cho!), Dead Space (baseada no game homônimo), G.I. Joe (Comandos em Ação; conhece? [era HQ da Marvel nos anos 1980, mas deixa quieto]), Tomb Raider (sim, do filme baseado no videogame), Lucha Libre (sim, do desenho que passava na SBT), entre outros bem legais, ao contrário daquelas...... porras que eram publicadas aqui no Brasil pela Abril e pela Globo e que o pessoal achava o suprasumo das HQ’s modernas.
‘Tá, vamos lá.
The Astounding Wolf-Man. Criação conjunta de Robert Kirkman, no roteiro, e Jason Howard(olha o sobrenome do infeliz! #risos), nos desenhos e arte-final. O plot é sobre um Gary Hampton, CEO duma empresa que ‘tá passando por momentos complicados, e, durante uma viagem a um camping com a família, é mordido por um lobisomem e, POW!, acaba se tornando um deles. Simples, não? Não necessariamente por é ai que começa o bacanal de referências, indo de a outros heróis das HQ’s – o protagonista usa seus poderes no combate ao crime (Homem-Aranha), ensinado por um tutor (Demolidor) em um QG cheio de traquitanas tecnológicas e até mesmo um carro para se locomover pela cidade [Batman), que está em um mundo cheio de vilões superpoderosos (Procurado), que são enfrentados por equipes de super-heróis que aparecem a torto e a direito (AstroCity) – junto a homenagens aos diferentes lobisomens que já passaram pelo cinema (antes do Lobisomem, com o Benicio Del Toro, de 2010) e mais um caldeirão de referências sobre o misticismo dos Lobisomens (os autores devem ter feito a história com o Lobisomem: um Tratado sobre Casos de Licantropia, do Sabine Baring-Gould, do lado) inclusive às inúmeras que faz ao RPG Lobisomem: O Apocalipse. E, sim!, pra terminar o caldeirão, o logo do uniforme (!!!!!!!) do herói É uma referência desgraceira aos Thundercats!
Esqueça este lance de arcos aqui, a história é contínua e se você perdeu um número, corre atrás, porque a coisa fica toda esburacada e sem sentido lá pra frente, ainda mais com os flashbacks que sempre amarram o momento seguinte a um lá no começo. Além do que, prepare seu saco, é um monte de reviravoltas, todas bem amarradas e que, lendo da segunda vez, até que fazem seu sentido e como contribuem para a trama. É misticismo, super-heróis (um zilhão de referências na cara), teoria da conspiração a nível governamental e essa merda toda que o Kirkman, de certa maneira, até que consegue amarrar de modo inteligível. Todavia, a arte do Howard não ajuda muito, o traço realmente não é dos mais convincentes pro que a história pede, chegando a, em muitos momentos, ser “cartoon network” em demasia (ou seja, muito ao contrário de I Kill Giants, da mesma editora), irritando bastante o leitor.
AH! Como é uma história com um personagem de histórias de terror, tem uma referência morta da sua obviamente aloprada ao H.P. Lovecraft. Mas isso você só vai descobrir quando ler.

Clique AQUI! para encontrar seu link para download no Gibiscuits.

F*cking enjoy!

domingo, 2 de setembro de 2012

contos dos Garou: incompleto e sem título

“Well, open the past and present now and we are there, story to tell and I am listening.”
– Green Day, “Scattered”, Nimrod, 1997

– APAREÇA, SEU MALDITO BASTARDO ESTÚPIDO! Você é bom em estuprar noivas, quero ver como se sai contra o noivo de uma delas! Venha!
Qualquer humano que se aproximasse dele poderia muito bem ser derrubado por seu bafo de álcool. Trajava somente o que conhecemos hoje como bermudas e os pés estavam afundados dentro da lama que já cobria a grama. Gritava contra o vento e brandia uma espada contra a chuva. Havia tantas ou mais cicatrizes em seu corpo do que pelos em seu rosto e cabelos em sua cabeça. Não havia ninguém em um raio de quilômetros e, a um raio de quilômetros, podiam ouvi-lo gritar a plenos pulmões, convocando seu adversário para um embate e parecia não cansar de gritar.
“Maldito sede vós, demônio miserável!”, ele uivava. “Destruir-vos-ei primeiro pela minha dama e depois por todas as mulheres e famílias que já desonrastes em vossa vil e tenebrosa existência!”
Dia? Noite? Entardecer? Perdera a noção do tempo.
Estava com sua matilha no continente em uma missão para o Líder da Seita, o que o impediu de vir imediatamente assim que fora informado sobre sua noiva. Nunca o viram tão furioso e tão desfocado de seus afazeres quanto naquele período, mas não a ponto de pôr a missão a perder – localizar uma colméia de Espirais Negras e destruir os irmãos Paco Pisada-Podre e Piera Sorriso-Perdido, devido terem contaminado a água que abastecia uma vila de Parentes e muitos terem morrido em conseqüência. A Meia Lua – e também alfa – teve uma grande dificuldade em acalmá-lo e fazê-lo ficar focado em seus afazeres, mesmo estando tão furiosa quanto seu ômega, e prometendo ajudá-lo no que fosse possível em sua vingança. Foi o mês mais longo da vida do Lua Crescente, os dias se arrastavam e o tempo parecia não passar. Como naquele tempo, a comunicação estava a anos-luz de ser em tempo real, seu coração estava cada vez mais apertado pelo desespero por não ter notícias e, por isso, cada vez mais tomado pela Fúria. Mal conseguia falar e não conseguia pensar direito devido à embriaguez da cólera, mal conseguindo se comunicar com espíritos, que temiam sua presença e, assim, dificultava ainda mais a missão ser completada.
Por sete sóis e por sete luas, esperou, em pé e sem baixar a espada. Tudo parecia perdido e a espera ter sido em vão, expirou por entre os dentes, já como presas, e saiu da posição de batalha iminente. A ponta da espada encostou à grama, antes do corpo se virar para ir embora e voltar para o seus. Após alguns passos, seus ouvidos levantaram e os pêlos da nuca arrepiaram-se como nunca dantes, o pulso girou a espada para que ficasse em posição de ataque. O vento parou por um momento que parecia ser interminável até ele sentir a presença em suas costas e atacar mais rápido do que um raio.
A lâmina atingiu nada além do vazio. Mas o Lua Crescente tinha certeza que havia algo ou alguém lá que devia ser temido de fato. Temido, enfrentado e derrotado. Girando a espada, expandiu sua percepção para procurar presenças além da sua, o que só confirmou que não estava sozinho. Mas seja o que fosse, não se mostraria tão fácil para ele. E a sensação de que estava sendo observado só lhe dava a certeza de que o inimigo que viera combater estava próximo, não precisando se dar ao trabalho de atravessar a Película para alcança-lo, uma vez que já havia procurado com todos os espíritos e outros Theurges, além de vários tipos de bruxos (até mesmo os malditos Sanguessugas, antes de enfim fazer-lhes o favor de destruí-los) informações sobre o deflorador de mulheres prometidas. E, mais uma vez, sentiu a presença junto à sua, fazendo-a atacar tão rápido quanto seu habilidade permitia, de modo que olhos humanos não poderiam acompanhar. Desta vez, não atingira o vazio.

“Não, você não vai sozinho!”, os olhos castanhos dela queimaram. “Nós somos uma matilha e nós vamos acabar com este maldito juntos!”, Pele-Pintada-de-Sangue trovejou de um dos lados da fogueira. “Ela pode até não ser Parente, mas ela ainda é sua mulher. Ou seja, o que aconteceu com ela é problema nosso”. A matilha só passou a discutir sobre o que fazer quanto ao problema da esposa de Barba-Queimada. Realmente, fazia tempo que tal problema já havia chamado a atenção dos Garou locais, mas ainda não tinham se movido para resolvê-lo até então, e mesmo a chegada dos Fenrir e sua tomada do caern dos Rios Lamacentos, pertencente aos Fianna da região hoje conhecida como Wolverhampton, do não havia mudado tal cenário. Não até o problema chegar à então noiva do Lua Crescente, que havia sido prometida a ele quando este e sua matilha ainda eram uma matilha de proteção do caern do Escudo Quebrado do Protetor.

[continua!]

quarta-feira, 20 de junho de 2012

A HORA CHEGADA!

A HORA CHEGADA!

ENFIM DE ANTES PARTIR, ele levantou o queixo dela com uma das mãos, olhando dentro de seus imensos olhos castanhos, onde podia ver seu rosto. Mais uma vez, ela segurou as lágrimas – e sabia o quanto ele odiava isso. Ela não sabia qual reação ter. Ele beijou sua testa antes de beijar seus lábios e não ficou admirado por ela – muito ao contrário do esperado – não oferecer resistência por estarem frente a todos os outros na entrada da escola que estava sendo o alojamento. A barba que cobria os lábios e muito do pescoço, a gravata listrada com o nó tradicional e a camisa bege com as mangas enroladas até os cotovelos, além da calça preta lisa com as bainhas dentro de coturnos pretos engraxados a ponto de brilharem e a imensa mochila fechada e abarrotada diziam por ele que partiria sem retornar, mas ninguém poderia dizer para onde. Ela não perguntou para onde iria. Ele também não disse palavra.
Ao passar a portinhola, ela e alguns amigos o seguiram e foi-lhes impossível conter o espanto com o que viram além do portão de metal. Uma imensa nave que cobria muito do céu e uma muito menor logo a frente deles, com – não saberiam dizer com certeza – humanos trajando roupas de astronautas ou mesmo robôs, porém todos portavam armas imensas e estavam à espera dele, certamente. Ela perguntou onde ele iria, que se virou e disse que demorariam a ser novamente, mas que pensaria nela todos os dias até que se tivessem em vista outra vez. Os olhos da menina já estavam cheios de água salgada, podendo ser notada mesmo detrás de lentes grossas. Os poucos amigos lá presentes não sabiam o que dizer, mas deram seus melhores abraços nunca antes quando ele perguntou se não despedir-se-iam. Infelizmente tanto seus pais e irmãs quanto aos que gostaria de dizer algo antes de ir não estavam lá, mas outros tantos seriam re-encontrados na nave-mãe e então seguiriam ao objetivo final, e isso, de alguma forma, servia de alívio.
Não disse a palavra tão costumeira em tais momentos. Não faria isso com eles. Olhou-a fixamente em olhos e eles não o tiraram de vista até que ele e os soldados desaparecem através de uma tecnologia que só havia sido vista em filmes e séries. Momentos depois, a pequena nave foi até a menor, e ele não a tirou de vista até que a maior alcançasse altura suficiente para não mais visão e então sumisse da atmosfera, alcançado o infinito iluminado sobre por estrelas de diferentes tamanhos. Somente então, foi até os que sabia que encontraria e cuidou de seus afazeres a partir dai.
Não havia sol onde eles estavam. As nuvens estavam espessas mas ainda era possível sentir a manhã. Não havia som além dos carros passando pelas duas mãos da avenida e das lágrimas caindo. Os olhos castanhos seguiram as naves até que sumissem no vazio, sendo que o rosto alvo não o era mais e sim escarlate. Não havia vento algum para esvoaçar os cabelos também castanhos já na altura dos ombros e nem o vestido florido em alvinegro. A irmã a abraçara por trás e estavam de dedos fortemente entrelaçados à altura do busto, ambas com os pequenos pés de princesas em contato direto ao chão não-acimentado, com os olhos fixos no cinza.
Ele prometeu a ela que voltaria. Ele não sabia se podia cumprir.
Mas ela esperaria.

:: conto de Rafael Alexandrino Malafaia ::
:: 14 de junho de 2012 ::

domingo, 22 de janeiro de 2012

JEMAND ALS DICH - ADELE

JEMAND ALS DICH

Ich hörte, du niedergelassen bist
Du fandest ein Mädchen und jetzt bist du verheiratet
Ich wusste, dass deine Träume wahr kamen
Glaube, sie gab dir Dinge, ich nicht dir

Alter Freund
Warum bist du so schüchtern?
Es ist nicht wie du zurück zu halten
Oder aus dem Licht verstecken

Ich hasse, wiederum bis aus heiterem Himmel ungefragt
Aber ich konnte nicht aus dir ausbleiben, ich könnte nicht bekämpfen
Ich hoffte, du würdest mein Gesicht sehen, und dass du daran erinnert werden würde,
Das ist für mich, es noch nicht vorbei ist

Es egal, ich werde jemanden als dich finden
Ich wünsche nur das Beste für dich auch
Vergess mich nicht, ich fleh, ich erinnere mich, du sagtest
Manchmal dauert es in der Liebe
Aber manchmal schmerzt es statt
Manchmal dauert es in der Liebe
Aber manchmal schmerzt es statt, yeah

Du weißt, wie die Zeit vergeht
Erst gestern war die Zeit unseres Lebens
Wir wurden geboren und erhört in einem sommerlichen Dunst
Gebunden durch die Überraschung unserer glorreichen Tagen

Nichts ist vergleichbar, keine Sorgen oder Sorgen
Bedauert und Fehler sie sind aus Erinnerungen getan
Wer hätte gewusst, wie bittersüß Geschmack dies würde haben?

Ich hasse, wiederum bis aus heiterem Himmel ungefragt
Aber ich konnte nicht aus dir ausbleiben, ich könnte nicht bekämpfen
Ich hoffte, du würdest mein Gesicht sehen, und dass du daran erinnert werden würde,
Das ist für mich, es noch nicht vorbei ist

Es egal, ich werde jemanden als dich finden
Ich wünsche nur das Beste für dich auch
Vergess mich nicht, ich fleh, ich erinnere mich, du sagtest
Manchmal dauert es in der Liebe
Aber manchmal schmerzt es statt
Manchmal dauert es in der Liebe
Aber manchmal schmerzt es statt, yeah

:: Sängerin: Adele ::
:: Lyrik: Adele Adkins und Dan Wilson ::
:: Album: 21 ::
:: Jahr: 2011 ::
:: tradução livre para o alemão de Rafael Alexandrino Malafaia ::

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ERRINEST DU DICH NICHT? - ADELE

ERRINEST DU DICH NICHT?

Wann werde ich dich wieder sehen?

Du gangst ohne Abschied weg, kein einziges Wort war nichtg gesagt,
Kein letzten Kuß, auf jegliche Nähte Dichtung,
Ich hatte keine Ahnung von dem Zustand in dem wir waren,

Ich weiß, ich habe eine wankelmütige Herz und Bitterkeit,
Und ein wanderndes Auge, und ein Schweregefühl im Kopf,

Aber erinnerst du dich nicht?
Erinnerst du dich nicht?
Der Grund, du liebst mich vor,
Baby, bitte an mich erinnern einmal mehr,

Wann war das letzte Mal, als du an mich gedacht hast?
Oder hast du eine komplette gelöschte mich aus deinem Gedächtnis?
Ich denke oft darüber nach, wo ich falsch gelaufen ist,
Je mehr ich weiß, desto weniger weiß ich,

Gab dich den Raum, um du zu atmen konntest,
Ich hielt meine Distanz, um du frei zu wärst,
Und hoffen, dass du das fehlende Stück zu finden,
Um dich zu mir zurück,

Aber erinnerst du dich nicht?
Erinnerst du dich nicht?
Der Grund, du liebst mich vor,
Baby, bitte an mich erinnern einmal mehr,

Wann werde ich dich wieder sehen?

:: Sängerin: Adele ::
:: Lyrik: Adele Adkins und Dan Wilson ::
:: Album: 21 ::
:: Jahr: 2011 ::
:: Übersetzung zur deutscher Sprachen: Quilômetros-a-Pé ::